quinta-feira, 23 de março de 2017

PE. JÚLIO MARIA: O DIABO, LUTERO E O PROTESTANTISMO - APRECIAÇÃO DO CENSOR, CARTA DE APROVAÇÃO E INTRODUÇÃO

PE. JÚLIO MARIA DE LOMBAERDE, S.D.N.
O DIABO, LUTERO E O PROTESTANTISMO
2ª. Edição – 1950 - Editora “O Lutador” Manhumirim – Minas Gerais

APRECIAÇÃO DO CENSOR
Santos, 24 de Junho de 1937 A Monsr. Aristides Rocha Vigário Capitular de Caratinga

Excelência Reverentíssima

Remeto à V. Excia. o Nihil Obstat a, publicação do novo trabalho do incansável Pe. Júlio Maria S. D. N., o qual intitula: “O Diabo, Lutero e o Protestantismo”.

Essa obra, especialmente em centros onde os protestantes assalariados, assentam suas besteiras, como nas Alterosas. só pode fazer um grande bem, apesar de, após a leitura de tais e tantas vilezas, a gente sentir necessidade instintiva de esfregar os olhos e lavar a língua", como costumava dizer a saudosa Maria Desidéria.

É bem possível até que essa história nua e crua não agrade a certas almas que, depois de uma série infinda de infidelidades, foram parar no lamaçal do vício, e acarrete dissabores ao destemido autor.

Neste caso, queira V. Excia. consolá-lo fazendo-lhe notar que, quando Denifle, no primeiro decênio deste século, correndo de vez o véu de quatrocentos anos, mostrou ao mundo protestante apavorado a realidade de seu famigerado fundador, no próprio catolicismo não faltaram "pequenos  escandalizados''.
E a grandiosa obra de Grisar, que nessa época já estava pronta, teve até de esperar por mais algum tempo oportunidade de publicação.

Obras destas são necessárias; são testemunhos eloquentíssimos prestados a verdade, contra a ignóbil hipocrisia de apóstatas e protestantes de má fé que procuram ocultar, aos olhos do povo, a série monstruosa de imoralidades, baixezas e delitos desde os tempos de Henrique VIII ao duque de Windsor; com tais chefes espirituais, é natural que os pobres protestantes de boa fé passem vergonha.

De V. Excia servo em Cristo Pe. Angelo Contessoto, S. J.


CARTA DE APROVAÇÃO
Do Revo. Sr. Vigário Capitular de Caratinga Caratinga, 10 de Julho de 1937

Meu caro Pe. Júlio Maria

Ainda sob a impressão do entusiasmo que me causou o seu último livro: "Sol Eucarístico e Trevas Protestantes", escrito e publicado a pedido meu. eis que novo opúsculo me vem às mãos.

Que homem extraordinário é V. Rvma! Parece que os livros lhe brotam da pena. como as gotas d’água porejam das estalactites, nas abóbadas das grutas. Remeti o seu trabalho ao Censor nomeado pelo nosso saudoso D. José Maria Parreira Lara, para receber o exame e o parecer dele.

O nihil obstat do ilustre Jesuíta, o qual lhe envio e peço publicar, mais que uma opinião, é uma aprovação completa, é um estímulo e um conforto. Não vejo necessidade de consolar a V. Rvma. como recomenda o censor, nos dissabores que lhe possa trazer a publicação de um livro que irá ferir, em pleno peito, os revoltosos contra a Igreja Católica, pois sei quanto o seu espírito paira acima de todos os ataques e calúnias, que o comodismo e os sectários do erro possam suscitar.

O seu livro "O Diabo, Lutero e o Protestantismo" retraça, com fidelidade e penetração, uma das épocas mais agitadas da Igreja.

Esta época é conhecida pela decadência que apresenta na história. Poucos, porém, conhecem de  perto, e nos pormenores, a luta titânica, que a Igreja sustentou contra os abusos e erros de Lutero e comparsas. Os católicos e até os próprias protestantes olham Lutero apenas através de curtas monografias, que nos mostram a sua revolta contra a Igreja, mas não o situam no ambiente em que viveu e agiu. Dai provém certa noção incompleta e falha da vida e dos atos do "reformador".

Mostra-nos V. Rvma., num quadro completo e em cores destacadas, a decadência e os males dessa época, as tendências dos povos de então, a balbúrdia nas idéias reinantes, a desunião dos governos. E em quadro tal, como bem o acentua V. Rvma., Lutero nos aparece em realce, não pelas qualidades pessoais, mas como a encarnação viva e fogosa dos distúrbios do seu tempo.

Neste mesmo painel lúgubre pela perversidade do monge revoltoso, vê-se a ação calma, fecunda e regeneradora da Igreja Católica, refutando o erro e restabelecendo a verdade.

Meus parabéns, caro Pe. Júlio Maria, por mais este raio, fulgurante de luz que é o seu livro, onde resplende a verdade histórica, tão deturpada pelos historiadores protestantes, a qual vem iluminar o espírito do leitor sincero e a inteligência dos vacilantes e, talvez dos iludidos.

Peco à Nosso Senhor abençoe o sua pena sempre terrível e brilhante, pela Sabedoria do Alto e pela ciência da terra.

Sou de V. Rvma. sincero e dedicado admirador
Monsr. Aristides Rocha
Vig. Capitular


INTRODUÇÃO

'"O Diabo, Lutero e o Protestantismo" é o estranho título de um livro a nos contar uma história macabra.

A princípio parece exagero a aproximação dessas três realidades. Mas não é, como o leitor  chegará a verificar.

Do mesmo modo por que se entrelaçam e se completam numa só entidade o CRISTO, O PAPA E  A IGREJA, como demonstrei noutro volume sobre esse título, também se ligam e se estreitam no diabo, Lutero e o Protestantismo. Assim como deixei provada a suave, harmoniosa e divina união entre Nosso Senhor, o Pontífice de Roma e a instituição de Pedro, tentarei, agora estabelecer a conexão flagrante e diabólica e as seitas ditas da reforma.

Não me acusem de deturpar as coisas, antes de manusearem com atenção o livro todo. Quem o ler logo estará convicto do fato.

Calúnia alguma assaquei ao protestantismo. Apenas tirei do olvido e frisei, com argumentos numerosos e seguros, a expressão viva de um acontecimento histórico e moral.

A vida de Lutero jaz num esquecimento inexplicável.

Por que razão um homem que revolucionou tanto o mundo, as consciências, as idéias e até a política, permanece de tal forma desconhecido, que mesmo os seus seguidores lhe ignoram os gestos? Como atinar com o sepulcral silêncio que envolve a existência desta curiosa personagem?

É muito simples a resposta. É que ele, a despeito do papel saliente desempenhado no mundo, é alguém cuja vida, moral e aspirações pessoais não sobressaíram pelo valor e predicados próprios, mas unicamente devido ao ambiente de degradação, sensualidade e revolta que o envolveram, nele se corporificando de forma tal a torná-lo o representante de sua triste época, o herói dos males reinantes de então.

Está patente que quem elevou a sublimou a personalidade de Lutero não foram as suas qualidades pessoais, senão os males morais de seu tempo. E isto se verá nestas páginas, onde o contemplaremos de acordo com o retrato a nós legado pela história imparcial e não como o representam lendas gratuitas e suspeitas.

Nada inventarei, aqui, pois a história, sendo a reprodução de realidades vividas e objetivas, não se forja assim de repente.

Consultarei autoridades antigas, historiadores sérios, católicos, protestantes, e até o próprio Lutero, apoiando-me sobre documentos que me possibilitarão reproduzir a feição histórica e moral da Reforma e dos reformadores.

Leitores delicados acharão, talvez, essa história um tanto dura e violenta. Têm razão. Apenas quero lembrar-lhes ser mister, na reprodução de cenas rudes, usar de termos correspondentes à realidade. Não se pintam quadros de guerra em tons amenos e pálidos, mas de maneira persuasiva e forte.

A linguagem predileta de Lutero pode ser qualificada furiosa desenfreada, apelando a cada passo para o demo, com que ele assegurou possuir relações estreitas. Não convinha modificar esse seu modo de falar, sob pena de alterar-se a fisionomia do autor.

Católicos e protestantes deverão ler atentamente este livro.

Para os primeiros ele será um relâmpago e para os segundos, um trovão. O relâmpago projeta claridade, o trovão faz tremer os mais valentes. Precisam os católicos de luz, para se precaverem contra o erro protestante; os protestantes necessitam de trovão, para acordarem do sono dos seus ensinos falhos.

Apesar de sua forma popular, este livro é um verdadeiro estudo, com argumentos sólidos, certos, tendo por mira somente mostrar a verdade.

O protestantismo, ao contrário, firma-se exclusivamente na ignorância da doutrina católica. Aí está porque os pastores protestantes proíbem com tanto rigor aos seus adeptos a leitura dos livros católicos, sabendo que a verdade, neles exposta, é bastante clara e contagiante para uma alma  reta à procura da luz. Possa esse volume tornar conhecida esta verdade que com tanto fulgor se irradia da Igreja, luzeiro divino, em face da qual aparecem as falsidades do pretenso reformador e de suas multiformes denominações sectárias.

A Igreja Católica é o pleno dia da verdade; as seitas protestantes são a noite trevosa dos erros.
Mostrar essa luz, este dia, esta escuridão, salientando o bem a ser seguido e o mal a evitar-se, tal é a grande aspiração do autor.

Pe. Júlio Maria de Lombaerde, S.D.N.


Nihil Obstat
Santos, 24 julii 1937 - Pe. Angelo Contessolo
Censor ad hoc

IMPRIMATUR
Coratingen, 10 julii 1937 - Mons. Aristides Rocha
Vic. Capitularis

REIMPRIMATUR
Manhumirim, 15 de Agosto de 1949
† Dom João Cavati
Bispo Diocesano de Caratinga 

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